A médica Elaine Moreira, de 48 anos, decidiu transformar sua trajetória marcada por episódios de violência em bandeira pública. Mãe de três filhas, Mariana, de 19 anos, Izabela, de 12, e Maria Antônia, nascida em 2021, ela enfrentou uma longa disputa judicial pela guarda da caçula e hoje se prepara para disputar uma vaga como deputada federal por São Paulo.
Em junho de 2024, após sofrer uma agressão física acompanhada de ameaça de morte, Elaine pediu uma medida protetiva de urgência. Poucos meses depois, em janeiro de 2025, foi surpreendida por uma decisão judicial que concedeu a guarda unilateral da filha ao ex-marido e determinou busca e apreensão em sua residência. “A minha decisão de entrar na política veio especificamente de uma história de violência doméstica que eu vivi, trágica, que além da violência psicológica, moral, eu vivi violência física e patrimonial. Na sequência, eu vivi violência vicária, que é quando o agressor utiliza filhos ou pessoas com grande vínculo afetivo da mulher para atingi-la”, relata.
Mesmo diante de um estudo psicossocial que apontava não haver desinteresse materno e que evidenciava o comportamento violento do pai, a decisão judicial foi contrária às conclusões técnicas. Indignada, Elaine levou sua história às redes sociais. O relato viralizou e abriu espaço para convites à política. “Pois ali eu entendi que a sociedade e o nosso judiciário não estão preparados para acolher a mulher que denuncia casos de violência doméstica. E essa é a minha grande bandeira hoje”, afirma.
Dor que virou luta
Depois de refletir por um ano, ela aceitou o desafio e anunciou sua pré-candidatura. “Entendi que através da política posso apoiar e ajudar um número muito maior de mulheres, garantindo segurança e saúde física e mental”, explica.
Entre suas propostas, está a integração entre varas de família e criminais. “Fazer com que as varas de família e as varas criminais se comuniquem entre si. Isso é essencial, a lei já existe, porém ela não é cumprida. E isso faz com que mães percam guarda de seus filhos para agressores. Isso não pode acontecer”, defende.
Elaine também propõe mudanças na legislação. “Propondo ajustes em leis que já existem, como a Lei Maria da Penha, um adendo para que mulheres vítimas de violência doméstica, ao denunciarem o agressor, já tenham imediatamente a guarda provisória dos filhos. Essa será uma grande causa: a revogação da lei de alienação parental”, afirma.
Além da pauta da proteção às mulheres, Elaine traz sua experiência de mais de duas décadas na medicina. “Como médica há 26 anos, que já atuou na saúde pública, na minha visão está a importância de investir na atenção primária, principalmente na prevenção de doenças crônicas como obesidade, hipertensão e diabetes”, explica. Segundo ela, a obesidade é uma questão urgente. “Ela é considerada uma doença crônica, que é fator de risco para mais de 200 outras doenças. Portanto, o meu foco é a prevenção”, ressalta.
Elaine também deixa um recado às mulheres que enfrentam relacionamentos abusivos: “Primeira coisa, cuidem de vocês, priorizem-se. Não aceitem desrespeito e fiquem atentas aos primeiros sinais. Informe-se, peça ajuda e denuncie. A sua vida vale mais do que tudo”.
Hoje, ela encara sua pré-candidatura como missão de vida. “Sigo com coragem e gratidão, com o propósito de contribuir para uma sociedade mais justa, equilibrada, segura e saudável”, conclui.
