Nova etapa da reforma tributária e pressão sobre o caixa tornam o último trimestre decisivo para empresários revisarem crédito, fornecedores, preços, investimentos e capital de giro
O ano de 2027 ainda não começou, mas as decisões que podem proteger ou comprometer o caixa das empresas já precisam ser tomadas em 2026. Em julho, o Brasil tinha 9,2 milhões de empresas inadimplentes, alta de 14,8% em relação ao ano anterior, segundo a Serasa Experian. Entre micro e pequenas empresas, eram 8,7 milhões de negócios com contas em atraso.
Ao mesmo tempo, 2027 marca uma nova etapa da reforma tributária. De acordo com a Receita Federal, o período de 2027 e 2028 terá cobrança da CBS com alíquota reduzida, IBS em 0,1%, extinção de PIS/Cofins, redução a zero do IPI para a maioria dos produtos e instituição do Imposto Seletivo.
Para Eduardo Dias, executivo da Alldax, esse cenário exige que o empresário trate o último trimestre de 2026 como uma fase de revisão estratégica, não apenas como fechamento contábil do ano.
“2027 não começa em janeiro. Para a empresa, começa agora. O erro mais comum é planejar o próximo ano olhando apenas para o histórico de 2026, como se tudo fosse se repetir. O empresário precisa responder onde quer estar em dezembro de 2027 e, a partir disso, calcular faturamento, vendas, capital de giro, investimentos e estrutura financeira”, afirma.
Segundo Eduardo, muitas empresas comprometem o próprio caixa porque desejam crescer, mas não calculam quanto esse crescimento vai custar. Aumento de vendas pode exigir mais estoque, equipe, tecnologia, crédito, prazo com fornecedores e capacidade operacional.
“Crescer sem planejamento pode virar problema de caixa. A empresa precisa saber se vai precisar captar recursos, renegociar dívidas, alongar pagamentos, encurtar recebimentos, rever antecipação de recebíveis e reduzir custos financeiros. Não basta vender mais; é preciso sustentar esse crescimento”, explica.
O executivo também defende que o planejamento tributário seja tratado como parte da estratégia financeira. Para ele, empresas que não revisarem regime tributário, fornecedores, contratos e formação de preços podem perder margem em 2027.
“Tributo não pode ser olhado só como obrigação contábil. Ele afeta preço, margem, fluxo de caixa e capacidade de investimento. A empresa pode estar em um regime inadequado, pode não estar preparada para aproveitar créditos ou pode formar preço com base em uma lógica que não será mais a mesma”, afirma.
Outro ponto de atenção é o impacto da reforma tributária sobre a cadeia de fornecedores e o capital de giro. Eduardo avalia que as empresas devem simular cenários antes que as mudanças afetem a operação.
“O empresário precisa olhar para fornecedores, prazos, contratos, recebíveis e custo financeiro. Se parte da dinâmica tributária muda, o caixa também muda. Quem deixa essa análise para depois pode descobrir tarde demais que perdeu margem ou capital de giro”, diz.
A recomendação, segundo ele, é que o empresário faça ainda em 2026 uma revisão integrada de sete pontos: projeção de crescimento, necessidade de capital de giro, crédito, fornecedores, contratos, formação de preços e investimentos previstos para 2027.
“Planejamento financeiro e tributário não é burocracia. É proteção de caixa. A empresa que se antecipa entra em 2027 com mais previsibilidade. A que deixa para depois pode começar o ano apagando incêndio”, conclui.
